sábado, março 03, 2007

mais uma vez. as palavras da gaveta. do fundo. porque algumas coisas se repetem. sempre.

Études pour - Les trois singes, Francine Van hove


Medo

eu tenho um medo. guardado na gaveta de baixo, bem no fundo, com corrente e cadeado. eu tenho um medo trancado. debaixo das revistas velhas. dos cadernos usados. dos livros já lidos. dos papéis amarrotados. eu tenho um medo escondido. pior que de escuro, lugar alto, homem do saco. um medo segredo. o mesmo, desde pequeno. desde a oração cochichada. da febre sob as cobertas. do sinal da cruz no meio da noite. o mesmo desde sempre. um medo que me persegue. me atormenta. me atrapalha. que aparece no canto do quarto. no abrir dos armários. em vulto pelos corredores. em visão pela casa vazia. miragem pela praia deserta. ruído no meio do silêncio. grito durante a madrugada. eu tenho um medo morto. ressucitado. um medo tantas vezes enterrado. mas que sempre volta. que cava a terra ao contrário. para acabar comigo e ser mais uma vez trancado. escondido na gaveta de baixo, com corrente e cadeado. um medo que sempre escapa. foge. eu tenho um medo que sempre espera minha chegada, sorrindo. bem no meio da sala.

Eduardo Baszczyn

7 comentários:

Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
eduardo disse...

Lindo texto. Este autor é ótimo.

sandro ornellas disse...

Ana palindrômica, são incrivelmente belas as gavetas fechadas, as cômodas mudas, as malas zipadas, as bocas silenciadas e os sapatos afivelados. Mas ainda mais belos são os espaços abertos, infinitos, os horizontes amplos. Abra tudo, escancare.
Bisou?

Anônimo disse...

Nao há como levar a sério...uma pessoa que pensa que pensa afetar uma poeta como vc, com seus comentários cheios de raiva, almejando sua morte, aos analistas de plantão: o que há é muita inveja, admiração não anunciada, ameaça...além de muito erro de português.
Não há como levar a sério...uma pessoa que agride um poeta com essas palavras amarguradas, digo: seus erros de português, minha cara anônima,são eles que agridem... não só um poeta como seus amigos letrados! Aconselho: Aprenda a escrever corretamente primeiro...

F. Reoli disse...

Os medos são termômetros para se registrar o que vem além da vontade...
Te beijo

F. Reoli disse...

Rs... talvez a alma seja meio carioca pela paixão pelo mar, mas sou um paulistano da "clara"...rs
Beijos

Anônimo disse...

Mariiiiie

 
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