sábado, abril 07, 2007

Death and Life (detalhe), Gustav Klimt


nada fala
tira de papel
lápis sem ponta para dizer de ti.

não quero mais saber de horas
instante fechado no colo da moça branca.

e já não é bela.
tem vinte e nove
filhos postiços dentes de mentira clareada.
cola os pedaços da cara quebrada
em meio aos cetins das festas que não foram.
entendes, agora, por que me esvaio?

me nivelo na parede rouca
da aspereza dos encantos teus.
ah, deus da boca silente,
montador de rimas das palavras minhas.

uma unha quebrada
na balada da noite meia. a vida
cala e consente no meio-fio.
navalha de prata. velha.

e tudo cheira a mofo aqui.

é como se me roubasses o coração.
e os dedos.
escondo as balas para que a criança não as veja.
e não me leve também os meus cabelos.



13 comentários:

caeiro disse...

desencanto. foi o que senti. o mundo em desencanto. é uma pena que a beleza de teus textos venham com esta carga de desencanto, suponho o quão difícil deve ser.

Sil* disse...

Marie,
como preciso me atualizar! Das notícias suas, da vida, do mundo!
Tenho estado tão alienada.
Mas amanhã (é, deixei pra amanhã, fazer o que!) coloco tudo em dia.
Deixei recadinho no apto.
Beju e sardade marvada

Ácido Poético disse...

E o encanto está nas suas palavras.
Beijos Mil
Brunø

eduardo disse...

Lindo e envolvente.

F.Reoli disse...

Klimt é o meu artista favorito não apenas por pintar a ouro, mas sim por deixar sempre essa possibilidade das palavras darem novas pinceladas...
Beijos

adelaide amorim disse...

Um poema forte e expressivo, Ana. Obrigada pela visita, vamos trocar impressões, é sempre bom. :) Beijo.

adelaide amorim disse...

Um poema forte e expressivo, Ana. Obrigada pela visita, vamos trocar impressões, é sempre bom. :) Beijo.

anjobaldio disse...

Belíssimo seu blog. Estarei sempre por aqui. Grande abraço,
Nelson.

Alê Namastê disse...

Oie!
Estou visitando a sua casa, viu?!
Beijos*

Saramar disse...

Andei aqui pela casa.
É encantadora. Nem pense em compará-la com a minha, tão modesta.

Versos lindos que me deixaram presa.
Voltarei.

beijos

douglas D. disse...

meus olhos já não conseguem daqui escapar - é um turbilhão que estremece a vida, esmurra o comodismo e arranca do céu girassóis, a tua poesia.

Anônimo disse...

Eita quanto comentario bom! O que dizer? Se o que dizem é real...poeta amiga linda bjo lu

sandro ornellas disse...

ana palindrômica, pode estar 'quieta' e 'voyeuse', mas ninguém nunca está só - eu, vc, qualquer um. (;

 
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