terça-feira, maio 08, 2007

porque sonhei com Al Berto naquela tarde no front.

já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e o remorso

um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo

Al Berto
de «Trabalhos do Olhar» 1976/82: Sete dos Ofícios, 1980


6 comentários:

caeiro disse...

queria xingar tanto quanto fosse possível para expressar o quanto este texto é ...nem sei... muito..esse texto é muito bom. vou procurar tudo deste cara...

viajante disse...

querida ana,

vou tentar.....mas estive des-sendo nos ultimos tempos....nomade do trabalho.

a silvia era soh mais uma sobrevivente como eu e vc. ou como a dona maria do complexo do alemao...que nao tem a verve da silvia mas eh tao poetica e VIVE mesmo que o mundo insista que ela deveria estar morta.

bjos e obrigado....

Ácido Poético disse...

Muito bom, moça!
Olha, te respondei lá no Ácido.
Beijoconas!

SANDRO ORNELLAS disse...

ana palindrômica, este poema é estupidamente belo. o caeiro expressou muito do que sinto quando leio al berto.
beijo

A.S. disse...

O alcance e a subtileza deste belissimo poema de AL Berto é como um raio iluminando uma noite de tempestade!


Um BeijO...

F. Reoli disse...

Saudade é vontade de ver de novo...
Bom saber que a luz se acende de novo, nesta alcova de vida inteligente e sentimentos intensos...
Beijos

 
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