quarta-feira, fevereiro 14, 2007

fragmento para honey-Lú, honey-Zão, honey-Sil, honey-Pipa, honey-Mô. hoje a poesia tirou férias.

Summer of 1909, Frank Weston Benson



Os homens criaram datas para rezar, dançar e até para comer chocolates. Só se esqueceram de que não existem horas para ser feliz. Nem para morrer.


uma merda só hoje. não sei porque o dicionário do meu computador insiste em não aceitar esta palavra. merda. foda-se agora. tá tudo uma merda mesmo. triste sabe?, nada a ver com depressão. apenas triste. a vida tem cada coisa, honey. que custo a entender. e, no fim, não entendo mesmo. nem tomei banho ontem. e, surpresa, ou não: não me importo. estas calças e estes tênis não me deixam sentar confortável. e o palito com o qual prendo os meus cabelos machuca a minha nuca. sonhei que andava só de camisola. camisolinha. mas, acordada, sei: não sou mais criança. uma pena. ser gente grande é das coisas mais doídas que já vi. pior do que quando a mamadeira atrasa. sinto dores nas costas. e um sono que me faria dormir mil anos. se pudesse. e quem pode? só os mortos mesmo têm esta regalia. e tem muito sangue preso por aqui. talvez até demais. sorry pelas palavras duras. sorry, também, por usar palavras não nossas. mas algumas coisas precisam ser ditas em línguas estranhas. para que eu pense que continuam a ser segredos só meus. meus cigarros acabam incrivelmente rápido. ou é meu tempo que anda lento? não sei. mas, que saber?, em meio a tudo isto que desconhecemos já não sei mais o que é secreto e o que pode ser escancarado, gritado aos berros. roucos. porque a voz é fraca. ou, então, porque não sabe falar. hoje: nada na agenda. muito bom. ou não. percebe que não decido nada... meu lugarzinho é mesmo em cima do muro. de onde vejo a vida passar. e ela vai passando passando... e comprar sapatos não ameniza nada. só me faz sentir que tenho pés a menos. sinto preciso de uma ligação. um fio que me segure. mesmo que um fiozinho prata numa embalagem de presente. estou na linha, querida, mas nem mesmo o trem passa para me dizer: hi, dear, quero passar. então eu fico. como, talvez, sempre tenha ficado. mais um cigarro. e um chorinho de criança no fundo. junto às marteladas do pedreiro do vizinho. carros e carros e carros. os sons existem. mas o silêncio é ensurdecedor. não os sons. da vida de fora. mas o silêncio. daqui. das palavras que não vêm nunca. nunca. nunca. nunca mesmo.
então, que fazer?
me calo. nos pés.
te amo.

bisou .

9 comentários:

eduardo disse...

Maravilhoso!!! Parabéns!!!

gdec disse...

Você arrasa, sabe?
Nos arrasa.

gdec

Anônimo disse...

Tbem entendo, tbem sei, tbem me dói, tbem te amo.
Bjo LU

Marla de Queiroz disse...

Isso deve estar no astral coletivo, sabe...
Mas eu gosto tanto dessa honestidade nos textos.

contracultura disse...

emaranhado de pensamentos que no geral dizem algo
muito legal

F. Reoli disse...

Não um simples desabafo, mas sim um íntimo recheado de dizeres, sinceros, claros e cheios de sentidos...
Fodam-se as convenções, e viva o vento e o sabor que ele nos proporciona... Te beijo.

comadrinha disse...

Que engraçado Marie, ler os parabéns do teu amigo! De impacto, me deu a sensação que o parabéns era pra algo fictício, um texto literário, que você acabara de inventar. Quando na verdade: você é assim, sabe se transpor em cada letra, em cada grito, em cada ponto. Nada é inventado.
E aí me toquei: os parabéns são por isso! Só pode!
Que lindo, o jeito como você se descreve e se desnuda em seu blog. Você é bela, belíssima!
Te amo também!
bisou
Sil

comadre disse...

faltou dizer sobre a tamanha identificação com suas palavras e sentimento!
acho que é coisa de cumadre.

Patricia disse...

Marie, volta logo.
Love,

 
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