domingo, agosto 31, 2008



Rita




o amor, às vezes, pode ser mesmo um sofá?
cholchãozinho velho estendido no chão
sala emprestada
corrida de carrinhos
tela de vidro
louça suja debaixo da mesa
esmaltes arranhados
dentes porcelana-da-china.
uma coisa
que alguém
mete no bolso
calça jeans surrada _
um número a mais
e a bailarina rodo
piando tonta.
era esse o palco da estação passada?
o pano de boca
velho
gasto
descorado do desejo em prosa
o texto não se justifica.

quando nunca se espera
o amor se transmutou em pó
comprado em pacotinhos selados
matematizado por contas de mais_
a estimativa de vida-útil,
sendo consistentemente
adulterado com sal de cozinha e
fermento para bolos de parabéns-a-você.
são 10 miligramas de sentimento amoroso.

eu fumo um minuto dessa fala amontoada
e já engasgo na boca do primeiro verso.
_ é que são tempos de guerras frias,
armazenamento de especiarias importadas.

ok, então,
eu costuro uma estrela no peito.

o sonho mofado
veio dormido da manhã de ontem.
engoli com café requentado
mirando os carrinhos correndo na tela.
a pole position do amor a granel.

e o amargo
fica
na ponta da língua
le chapms de filles.
gelo em forminhas de coração
derretendo no banho-maria
descuidosamente
deixado
a meio fogo
lento do fim.

8 comentários:

Carolzita! disse...

Gostei daqui. Beijos

Anônimo disse...

caeiro

isso ana. grande texto, daqueles que dão prazer de ler.

gdec disse...

V. agora escreve muito pouco mas sempre muito bem . Gosto porque me lembra como V. era . Lembra-me quando V. gostava de mim e dizia como meus escritos a faziam sentir .Agora diz palavras amáveis mas parece que eu já não escrevo para si . E na verdade, escrevo. Não tão bem talvez mas tão sentido, como sempre.
um beijo
Geraldes de Carvalho

Anônimo disse...

Olá, tudo bem? Esta semana eu perdi uma grande amiga, seu nome era Elisabeth Girata. (1957-2008). Ela, juntamente com o esposo (Miguel) e os três filhos (Emerson, Keylla e Hugo) estavam trabalhando para juntar um dinheiro suficiente para comprar uma casinha, em Itapecirica da Serra (SP). Uma segunda autópsia será feita para certificarem-se quais foram as causas de sua partida. Seu corpo será cremado, segundo as tradições japonesas.
Beth foi uma pessoa que pensava primeiramente no próximo, não importando sua cor, religião ou posição social. Convido a todos para lerem este poema de despedida. Ela foi uma estrela cadente (um anjo) que em vida cumpriu sua missão. Perdemos uma mãe, uma irmã, uma filha, uma amiga e uma companheira... O céu agora está mais feliz.

http://www.overmundo.com.br/banco/o-anjo-se-foi-adeus-a-beth-girata

Ácido Poético disse...

Nina, querida

Por onde andas, moça?
Olha, eu não posso falar nada, só me justificar, pois é tanta correria, tanta viagem, tantos "tanta" que não me sobra tempo para comentar nos blogs que mais admiro. Mas, espero que você não esteja zangada e saiba que, mesmo eu não deixando minhas pegadas nos espaços-comentários de seus textos-poemas, estou sempre lendo e saboreando cada letra.

Deixo um beijo. Não! Dois! Um em cada bochecha.
Bjks
Bruno

Mirafuegos disse...

DonaMarie, passou a tranca no apartamento?
Eu que fuçava quietinho por aqui agora tô sem ter como linkar lá..
Beijo

a estrangeira disse...

Mistura realismo e criação.Muito bom.bj

Hilo disse...

Foda.

 
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