sábado, janeiro 13, 2007

essa é para a Comadre

Street Tango Dancer's Legs in San Telmo, Michael Taylor



E eu passei tão rápido que mal tinha percebido que você já volta já. A sensação era de que você ficaria eternamente mais do que eu aí. Provavelmente porque senti que você, nem um tantinho histerus, aproveitava tudo muito mais do que eu sequer poderia pensar em fazer. Olha, nem preciso te dizer, já descobriu meu segredo, às vezes aberto-escancarado na minha roupa da moda, nas minhas caras e bocas, naquilo que paro, mas digo, agora, e é certo: não é tarde: a viagem foi me-mo-rá-vel. E porque quase caímos no fosso do elevador, andamos tal qual condenadas, tomamos sol como se fosse praia, não entendemos nada do que as pessoas falaram, conhecemos todas as espécies latinas de mosquitos, demos o real valor ao arroz, ao feijão e ao ovo frito, comemos cachorro-quente na ceia do Réveillon, dançamos até cansar, vimos coisas lindas, outras nem tanto, você me ensinou a subir num beliche, eu te mostrei que posso ser ainda mais mal humorada do que a espécie humana poderia esperar de alguém e você não me mandou ir embora, tivemos um começo mais do que emocionante nas redondezas do mercado municipal, conheci um primo do Compadre, até sonhei com ele, conheci outro primo do Compadre, que me fez rir como pouca gente sabe, e afinal, nos divertimos a valer. Eu, enfim,
me arrebatei.
Uma flor de prata pra você. Aproveita o finzinho e me escreve depois.

Saudades.
bisou

4 comentários:

Patricia disse...

Marie, que lindo!!! Ainda sonho com uma viagem com todas as Ninas, inclusive a chata da Pipa, que eu sei, sabe ser realmente chata quando quer, eu sei, eu sei. Love,

Patricia disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
comadrinha disse...

Voltei!
Com muitas coisas arrebatadoras na mala.
Várias delas, com certeza, datadas do comecinho da viagem. Aquele começo em que não te mandei embora, rs. Afinal, você já matou a charada: a viagem é o viajnte.
E, com certeza, esta foi me-mo-rá-vel.
Que boas aquelas prosas de cumadre no fumódromo! E olha que eu nem fumo!!
Obrigada pela flor de prata, guardarei-a com carinho.
Beijos e saudades,
sempre infinitas.

Anônimo disse...

muito bom! Vc sabe sintetizar as coisas e escreve-las como se passasse um filme de imagens na cabeça e eu que nao estava lá viajo até lá e vejo vc e a cumadre rindo ao subir na beliche e vejo seu mal humor e conheco os lugares por onde passaram e por onde nunca passei!

 
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